terça-feira, maio 30, 2006

Silêncio de pechisbeque.

segunda-feira, maio 15, 2006

quarta-feira, maio 10, 2006

Don't know where I'm going /Don't know where it's flowing / But I know it's finding you

Grant McLennan

quinta-feira, maio 04, 2006


Não te amo mais.
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis.
Tenho certeza que
Nada foi em vão.
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada.
Não poderia dizer jamais que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais que

Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
Eu te amo!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais...

(Agora leia de baixo para cima)

Clarice Lispector (Brasil 1920-1977)

terça-feira, abril 25, 2006

segunda-feira, abril 17, 2006

vida longa


DIED. ADDWAITYA, around 250 years old, giant tortoise thought to have been the world's oldest living creature; in a zoo in Calcutta. Brought from the Seychelles to India by British sailors in the 1700s, Addwaitya (Bengali for "the one and only") first belonged to Robert Clive, who helped establish colonial rule in India. Clive died in 1774, but his pet stayed on in the garden of his estate, moving to the zoo 100 years later.
(3 Abril 2006)

quarta-feira, abril 05, 2006

terça-feira, abril 04, 2006

A Sílaba

Toda a manhã procurei uma sílaba.
É pouca coisa, é certo: uma vogal,
uma consoante, quase nada.
Mas faz-me falta. Só eu sei
a falta que me faz,
Por isso a procurava com obstinação.
Só ela me podia defender
do frio de janeiro, da estiagem
do verão. Uma sílaba.
Uma única sílaba.
A salvação.

Eugénio de Andrade



Sílabas

Sílabas.
O álcool de Dezembro é frio e rouco.
O cigarro amargo. É um cigarro clínico.
Sílabas.
Com sílabas se fazem versos.

O tampo da mesa é liso.
Uma colher é uma forma complexa
familiar e deliciosa.
Um copo é nítido
como um criado sem servilismo.
Uma mulher condensa-se
no olhar do poeta.
Um corpo. Duas sílabas.
O dinheiro à justa. A gola da gabardina
para tapar a nuca
e os ouvidos.
Sílabas.

António Ramos Rosa

quinta-feira, março 30, 2006

terça-feira, março 28, 2006

Samuel Beckett

Dizer um corpo. Onde nenhum. Mente nenhuma. Onde nenhuma. Ao menos isso. Um lugar. Onde nenhum. Para o corpo. Estar lá dentro. Mover-se lá dentro. E sair. E voltar lá para dentro. Não. Sair nenhum. Voltar nenhum. Só entrar. Ficar lá dentro. Em diante lá dentro. Parado.

Tudo desde sempre. Nunca outra coisa. Nuna ter tentado. Nunca ter falhado. Não importa. Tentar outra vez. Falhar outra vez. Falhar melhor.

Primeiro o corpo. Não. Primeiro o lugar. Não. Primeiro ambos. Ora um deles. Ora o outro. Até fartar de um deles e tentar o outro. Até fartar também deste e fartar outra vez de um deles. Assim em diante. Dalgum modo em diante. Até fartar de ambos. Vomitar e partir. Para onde nem um nem outro. Até fartar desse lugar. Vomitar e voltar. Outra vez o corpo. Onde nenhum. Outra vez o lugar. Onde nenhum. Tentar outra vez. Falhar outra vez. Melhor outra vez. Ou melhor poir. Falhar pior outra vez. Ainda pior outra vez. Até fartar de vez. Vomitar de vez. Partir de vez. Onde nem um nem outro de vez. De vez e tudo.


Samuel Beckett, Pioravante marche.
Tradução de Miguel Esteves Cardoso. O Independente / Assírio & Alvim, 1996.

quarta-feira, março 22, 2006

TRAILER

Um grande filme. Valeu a pena esperar.

terça-feira, março 21, 2006

Alguns gostam de poesia

Alguns-
quer dizer nem todos.
Nem a memória de todos, mas a minoria.
Excluindo escolas, onde se deve
e os próprios poetas,
serão talvez dois em mil.

Gostam -
mas também se gosta de canja de massa,
gosta-se da lisonja e da cor azul,
gosta-se de um velho cachecol,
gosta-se de levar a sua avante,
gosta-se de fazer festas a um cão.

De poesia -
mas o que é a poesia?
Algumas respostas vagas
já foram dadas,
mas eu não sei e não sei, e a isto me agarro
como a um corrimão providencial.

Wislawa Szymborska (Prémio Nobel 1996)
in Koniek i Poczatek ( Fim e Princípio), 1993.

sábado, março 18, 2006

quem se lembra...

... do insepararável trio: ZX Spectrum, televisão e leitor de cassetes?

terça-feira, março 14, 2006

ENQUANTO HOUVER COR


The Worlds of Nam June Paik. Guggenheim Museum, 2000.
Nam June Paik (1932-2006).

segunda-feira, março 13, 2006

Frida Kahlo no CCB

Recomendo, apesar de considerar exagerada a ideia de que se trata da "grande exposição do ano". Se calhar, até é! Por vezes esqueço-me de que estou em Portugal. É certo que os trajes tradicionais de tehuana e o altar de mortos complementam o conhecimento da reduzida mas complexa obra da maior pintora do século XX. Mas a sensação final é de que as expectativas eram demasiadamente elevadas.

quinta-feira, março 09, 2006

Vais ter de olhar para o que vês. Mas vais ter de olhar absolutamente. Vais tentar olhar até ao apagamento do teu olhar, até à sua própria cegueira, e através dela deves continuar a tentar olhar. Até ao fim.

Perguntas-me: olhar o quê?
E eu digo, bem, digo o mar, sim, essa palavra, à tua frente, essas paredes à frente do mar, esses desaparecimentos sucessivos, esse cão, esse litoral, essa ave sob o vento atlântico.

Marguerite Duras, Textos
Secretos.